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Sexta-Feira, 20 de Oct 2017 . 19:29

 

Notícias

Alunos da Universidade do Algarve fazem greve de fome por causa da biodiversidade

Alunos da Universidade do Algarve (UAlg) vão fazer uma greve de fome de 24 horas como forma de chamar a atenção para os ataques constantes à biodiversidade e conservação dos recursos pesqueiros nos Oceanos.

A ação começa no dia 21 de Maio e acaba 24 horas depois, no Dia Mundial da Biodiversidade, celebrado a 22 de Maio.

Esta iniciativa parte de um grupo de estudantes do mestrado em Biodiversidade Marinha da UAlg, que estão no Algarve ao abrigo do programa de intercâmbio Erasmus Mundus.

A ela prometem juntar-se alunos do curso de Biologia Marinha, que estão a promover uma ação interna na mesma linha, e até alguns professores deste curso.

A greve de fome, ponto central da iniciativa, será acompanhada de uma campanha de sensibilização junto da população e da exibição de um filme sobre as ameaças à biodiversidade marinha.

Como explicou ao «barlavento» Greg Puncher, o organizador da iniciativa «Campanha para a Reforma das Pescas» no Algarve, esta ação é o lançamento de uma iniciativa bem mais ambiciosa, que durará até 2012 e pretende pressionar os governos da União Europeia a adotar leis mais restritivas na revisão da Política Comum de Pescas, marcada para esse ano.

Mais do que criar as leis, os organizadores deste protesto querem que seja dado um passo firme na garantia da sua aplicação efetiva, algo que hoje não acontece.

«Há muita corrupção e injustiça. Devido à pressão dos lobbies da indústria pesqueira, a UE não está a ouvir os cientistas e a tomar as medidas necessárias. Esperamos chamar a atenção para esta matéria, para que haja uma reforma em 2012», considerou Greg Puncher.

O aluno canadiano da UAlg diz que esta campanha servirá para «aumentar a consciência da população», mas não só.

«Também queremos mandar um sinal da nossa determinação e disposição para fazer um sacrifício pessoal em prol da conservação da biodiversidade. O nosso sacrifício não é apenas o de fazer uma greve de fome de 24 horas, mas também o de deixar de consumir as espécies ameaçadas», explicou.

Este é, no fundo, o sacrifício que é pedido aos demais cidadãos, numa tentativa de forçar a União Europeia a tomar medidas.

«A mudança tem de partir da população. Durante a nossa greve de fome vamos distribuir gratuitamente guias de comida sustentável, onde indicamos quais as espécies cujo consumo deve ser evitado», revelou.

Também vai ser exibido o filme «End of the Line» no campus das Gambelas da UAlg, que os organizadores querem também mostrar na cidade de Faro, na noite de dia 21, em local ainda a confirmar.

Outra questão de fundo da luta destes estudantes é a das consequências da Política Comum de Pescas, pouco faladas na Europa. A compra de quotas de pesca em países terceiros é muitas vezes acompanhada de pesca desenfreada, que leva ao esgotamento dos recursos locais.

«Com esta campanha, também queremos mostrar empatia com as famílias que já hoje sofrem com fome na África Ocidental. Há populações costeiras que viram as suas reservas de peixe serem esgotadas pelas frotas da UE e não têm nada para comer. Este não é apenas um problema alimentar, mas também social e económico, pois tem-se verificado um surto de imigração destas áreas para a Europa em função disso», contou Greg Puncher.

A «Campanha para a Reforma das Pescas» deverá ter eco em pelo menos mais cinco universidades europeias que estão ligadas à rede da Biodiversidade e Conservação Marinha do programa Erasmus Mundus.

Segundo Greg Puncher, «isto é apenas o começo» e desejavelmente «uma base sólida para uma atividade crescente até 2012».


in Barlavento online

22-05-2010